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2. “Ah! Mas nós, cristãos, católicos, puritanos, tradicionalistas, nunca vamos ouvir Heavy Metal, ler o tal mangá e assistir Harry Potter” — que é uma máxima na doutrina debiloide, certamente. Antes disso, melhor ser sal que não salga, nem luz que ilumina, né? Mas vamos com paciência, sem assustar os beatinhos autoproclamados.
3. Sal, ainda que sejam vários grãozinhos, isolando-se, ou estão em salinas, ou no saleiro. Para que seja útil, precisa se misturar, podendo até realçar o sabor de uma sopa sem gosto. Ou você acha que ser cristão é entrar em um clubinho de donzelos que passam o tempo inteiro apontando quanto o mundo se tornou isento de Deus?
4. Nunca ouviu um Blind Guardian ou leu um Samurai X na vida e fica de criticismo contra quem, através da música, de um mangá, consegue evangelizar, ser sal e luz com sua presença, exemplo e testemunho: “como assim você está aqui, nesse show, mas vai nas missas, reza o terço e venera os santos como heróis?” — loucura, heresia?
5. Já foi ao menos em um show do Iron Maiden? “Ah! Mas não são cristãos”. Ué? Eu disse “missa do Eddie” por acaso? Só família lá! Avô, pai, filho. Casais, velhos e jovens. Gente preta, branca, amarela. Tem uns maconheiros sim, mas ofendem menos à moral cristã do que os sedevacantistas, ainda que debaixo dos traumas de um certo bispo excomungado.
6. Mas não vá dar uma de sal em carne podre! Há bandas, por exemplo, que são projetos ideológicos, difamatórios, como é o caso da Dogma, formada por mulheres, musicistas que são exploradas por empresários e produtores anticatólicos — vestem-nas com roupas de freiras (de sex shop, só pode) e pregam ideias eteias, meramente hedonistas.
Então pare de ler as obras de J. R. R. Tolkien e George Orwell, viu? Fique aí, em “Nárnia”.7. Antes de Harry Potter fazer sucesso como obra literária, ao menos os noventistas já desenvolviam um grande hábito de leitura através de mangás, que vão desde Sakura Card Captor até Evangelion. “Ah! Mas há muita magia, estórias que abalam a psiquê”. Então pare de ler as obras de J. R. R. Tolkien e George Orwell, viu? Fique aí, em “Nárnia”.
8. Sim, mas já que citamos Harry Potter, o que é possível dizer sobre? Se tiver saco, leia Harry Poter e o Paradigma Cultural e Harry Potter em Provas Gráficas. Daí, vai ser possível perceber esta afirmação: tem que ser evangelizada! Há exemplos bons na obra, mas sem uma interpretação cristã, tende ao neopaganismo anticristão por subversão.
9. “Harry Potter nunca foi cristão! Como interpretar de forma cristã?” — assim podem bradar os já inadjetiváveis (neologismo). Sabe aquele madeiro de Nosso Senhor? Nunca foi cristão! Quando olhamos um crucifixo, vemos uma forma de matar persa (depois adotada pelos romanos) ou lembramos do sacrifício que fez Jesus Cristo por todos nós?
10. “O mestre aponta o céu: o tolo observa o dedo e o sábio enxerga a lua” — já dizia um antigo provérbio chinês. Há quem veja só um bruxo em Harry Potter, só um matador em Kenshin Himura ou só satanismo em “The Number of the Beast”. Houve em um tempo quem visse só um pescador frustrado, só um publicano corrupto ou somente uma meretriz endemoniada.
11. Jesus Cristo via tudo isso de outro jeito. Particularmente, escuto muita cultura e história em “Lord of the Flies” e “Alexander the Great”, leio como os irmãos Elric se mantém sempre unidos, éticos e resilientes contra tantos problemas, assisto como jovens respeitam mestres idosos, integram colegas mais novos e lutam contra vilões.
12. Longe de poder ver como Nosso Senhor vê todas as coisas, ao menos não ponho as traves em olhos de outros com preconceitos disfarçados de religiosidade. Ser sal, mas sem deixar as coisas intragáveis! Escute, leia, assista. Esteja entre os headbangers, os otakus, os geeks, mas que notem que tudo é feito sem que fique longe de Jesus Cristo. Para referenciar esta postagem: ROCHA, Pedro. Ouvir, Ler, Assistir, Mas o Quê? Enquirídio. Cascais, 18 nov. 2025. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/03/ouvir-ler-assistir-mas-o-que.html. Pedro Rocha é católico, casado desde 2014 com Larissa Rocha – temos dois filhos na terra e um(a) com Papai do Céu. Bacharel em Direito e Design, cursa nas áreas de Semiótica, Gestalt, Behaviorismo e Simbologia. Agora, depois de ao menos uma década dedicada ao Enquirídio, procura explicar nesta seção pop que ninguém precisa adotar neuroses alheias acerca de cultura ao se firmar como cristão, sobretudo os jovens, diante de produções musicais, literárias e cinematográficas, principalmente. Instagram. Siga o perfil do Enquirídio no Instagram. Threads. Acompanhe o Enquirídio também pelas Threads.
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